Fontes ouvidas pela Reuters dizem que Washington não tem planos atuais de respaldar reivindicação de Flávio Bolsonaro; Lula foi oficialmente reeleito com 51,79% dos votos válidos
Por Alex Oliveira — Informativa PE

Trump e Flávio Bolsonaro: Governo Trump indica que não o apoiará como “líder legítimo” do Brasil
O governo do presidente norte-americano Donald Trump não tem planos atuais de reconhecer Flávio Bolsonaro como o “líder legítimo” do Brasil, segundo um funcionário dos Estados Unidos e uma segunda pessoa com conhecimento do assunto ouvidos pela Reuters sob condição de anonimato.
A informação surge dois dias depois de Flávio chegar aos Estados Unidos e publicar uma carta na qual rejeitou o resultado da eleição presidencial brasileira.
Na primeira versão do documento, Flávio se declarou “presidente eleito”. O texto foi posteriormente apagado e republicado com outra formulação, na qual ele passou a se apresentar como o “líder legítimo” do país.
Até agora, porém, essa reivindicação não recebeu reconhecimento do governo norte-americano.
Trump não pretende respaldar Flávio neste momento
Segundo a Reuters, as duas fontes disseram que Trump não possui atualmente planos de apoiar as ambições políticas de Flávio Bolsonaro, apesar de seu governo ter autorizado a entrada dele e de sua família nos Estados Unidos.
As mesmas fontes ressaltaram que a posição pode mudar futuramente.
Portanto, o dado correto neste momento é que “não há respaldo do governo Trump à reivindicação de Flávio como autoridade legítima do Brasil”, mas isso não representa uma decisão irrevogável de Washington.
A Casa Branca encaminhou perguntas da Reuters ao Departamento de Estado, que não respondeu à reportagem.
Lula venceu oficialmente a eleição?
O resultado oficial divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral é claro.
Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito presidente com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos.
Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%.
A diferença foi de aproximadamente “4,43 milhões de votos”.
O resultado foi proclamado pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, após a totalização da votação.
Flávio, portanto, não venceu a eleição segundo a autoridade eleitoral brasileira.
Alegação de fraude não veio acompanhada de provas
Após chegar aos Estados Unidos, Flávio afirmou que a eleição teria sido “roubada” e acusou o Supremo Tribunal Federal e Lula de participarem de uma suposta fraude eleitoral.
Ele não apresentou provas que comprovassem a acusação.
A vitória de Lula foi reconhecida pelo Tribunal Superior Eleitoral, por líderes internacionais, observadores estrangeiros e pelo próprio partido de Flávio Bolsonaro, segundo a Reuters.
A Reuters também destacou que menos de 35 mil votos foram registrados durante as duas horas adicionais de votação determinadas pelo STF em determinadas seções — cerca de 0,03% do total nacional, quantidade muito inferior à diferença entre os candidatos.
Trump questionou eleição, mas não endossou candidato
Donald Trump afirmou publicamente que a eleição brasileira lhe pareceu “suspeita” ou “manipulada”.
Até o momento, porém, também não apresentou evidências públicas de fraude.
Ao mesmo tempo, Trump destacou que “não havia apoiado formalmente nenhum dos dois candidatos” durante o segundo turno.
O presidente norte-americano também fez declarações positivas sobre Lula.
Em conversa com jornalistas, afirmou que gosta do presidente brasileiro e que mantém boa relação com ele.
Esse comportamento mostra uma postura mais cautelosa da Casa Branca do que a reivindicação apresentada por Flávio após sua chegada aos Estados Unidos.
Relação entre Brasil e Estados Unidos pesa na decisão
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, a Casa Branca pode estar evitando uma nova crise diplomática com o Brasil.
As relações entre Brasília e Washington passaram por períodos de forte tensão durante os últimos meses.
O governo brasileiro acusou integrantes da administração Trump de tentarem interferir na política doméstica brasileira, enquanto autoridades norte-americanas criticaram decisões judiciais envolvendo a família Bolsonaro.
Apesar das divergências, Trump e Lula tiveram posteriormente uma interação cordial e Washington chegou a retirar algumas das sanções anteriormente impostas a autoridades brasileiras.
Nesse contexto, reconhecer um candidato derrotado como “líder legítimo” poderia provocar uma nova crise diplomática entre as duas maiores economias das Américas.
Flávio deixou o Brasil após decisão do STF
A saída de Flávio Bolsonaro ocorreu pouco depois de uma decisão do Supremo Tribunal Federal que determinava a entrega de seus passaportes.
Segundo a Reuters, a medida foi solicitada pela Polícia Federal no contexto de investigações sobre suspeitas de lavagem de dinheiro.
Flávio nega irregularidades e afirma ser alvo de perseguição política.
O processo criminal público relacionado a uma das investigações consta no portal do STF sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
É importante destacar que investigação não significa condenação.
Viagem passou por Argentina e Equador
Segundo autoridades argentinas e fontes citadas pela Reuters, Flávio deixou o Brasil com a esposa e duas filhas.
A família cruzou a fronteira para a Argentina e posteriormente embarcou em um avião fretado com destino aos Estados Unidos, fazendo escala no Equador.
Ainda não está totalmente esclarecido como Flávio percorreu o trajeto entre Brasília e a fronteira argentina sem ser impedido pelas autoridades brasileiras.
A Argentina também entrou no centro da crise diplomática.
O governo brasileiro convocou a encarregada de negócios argentina para discutir o papel do país na saída de Flávio, segundo fontes diplomáticas ouvidas pela Reuters.
Marco Rubio recomendou entrada nos Estados Unidos
A Reuters informou que o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio recomendou a Trump que Flávio e sua família fossem admitidos nos Estados Unidos.
Trump aprovou a recomendação.
Durante o voo, integrantes do Departamento de Estado e do Departamento de Segurança Interna discutiram qual seria o instrumento jurídico adequado para permitir a entrada.
A solução adotada foi a concessão de “humanitarian parole”, um status temporário utilizado quando autoridades entendem existir razões humanitárias urgentes ou interesse público relevante.
Essa autorização migratória não equivale a reconhecimento de Flávio como presidente ou líder do Brasil.
Apoio político também enfrenta resistência entre aliados
A reivindicação apresentada por Flávio não encontrou apoio uniforme nem mesmo dentro do campo conservador brasileiro.
Segundo a Reuters, sua saída do país foi criticada por integrantes da oposição que esperavam que ele assumisse a liderança política desse grupo após a eleição.
Um terceiro funcionário norte-americano ouvido pela agência avaliou que o capital político de Flávio diminuiu depois da decisão de permanecer no exterior.
A Reuters também relatou que aliados importantes não aderiram à declaração de que ele seria o verdadeiro líder do Brasil.
O que significa a posição atual de Washington?
A informação publicada pela Reuters não significa que o governo Trump tenha rompido relações com Flávio Bolsonaro.
Washington permitiu sua entrada no país.
Integrantes próximos ao governo norte-americano ajudaram na logística de sua viagem.
E Trump já demonstrou proximidade política com a família Bolsonaro em diferentes momentos.
A diferença é que, neste momento, segundo as fontes consultadas, a administração norte-americana não pretende transformar essa proximidade em reconhecimento político de Flávio como autoridade legítima do Brasil.
Essa distinção é fundamental.
Fato, declaração e informação atribuída a fontes
Nesta história, existem três níveis diferentes de informação.
Fato oficial: Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, conforme resultado proclamado pelo TSE.
Declaração política: Flávio rejeita o resultado e afirma ser o verdadeiro líder brasileiro, mas não apresentou evidências públicas que comprovem fraude eleitoral.
Informação jornalística atribuída: fontes anônimas disseram à Reuters que Trump não possui planos atuais de apoiar essa reivindicação. A posição poderá mudar no futuro.
Separar esses três elementos evita transformar declarações políticas ou informações de bastidores em fatos institucionais.
Relação Brasil-EUA entra em nova fase
O episódio cria mais um desafio para as relações entre Brasília e Washington.
De um lado, Trump permitiu a entrada de Flávio e sua família nos Estados Unidos e continua criticando aspectos da eleição brasileira.
Do outro, não demonstrou intenção de romper relações com Lula nem de reconhecer formalmente a reivindicação de Flávio.
Essa combinação sugere que Washington tenta preservar espaço político com diferentes setores brasileiros sem provocar, pelo menos neste momento, uma ruptura aberta com o governo oficialmente eleito.
Os próximos movimentos dependerão da evolução das investigações contra Flávio, das relações diplomáticas entre os dois países e das decisões do próprio governo Trump.
Por enquanto, porém, a situação é objetiva:
Lula é o presidente reeleito reconhecido oficialmente pela Justiça Eleitoral brasileira, e o governo Trump não possui planos atuais de reconhecer Flávio Bolsonaro como o “líder legítimo” do Brasil.
Fontes: Reuters, Tribunal Superior Eleitoral e Supremo Tribunal Federal.
Atualização: informações revisadas pelo Informativa PE em 30 de outubro de 2026.
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