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Fuzil do Exército é recuperado no Recife após 10 dias

Armamento calibre 7,62 desapareceu do 7º Depósito de Suprimento, no Cabanga; soldado segue preso e Justiça concedeu prisão domiciliar à namorada grávida

 

Por Alex Oliveira — Informativa PE

Fuzil do Exército recuperado no Recife após desaparecer de quartel
Fuzil M964 FAL calibre 7,62 e 20 munições foram recuperados após operação integrada das forças de segurança. Imagem ilustrativa.

fuzil do Exército levado por soldado do Exército é recuperado no Recife; investigação apura possível repasse

O fuzil M964 FAL calibre 7,62 milímetros e as 20 munições que desapareceram do 7º Depósito de Suprimento do Exército, no bairro do Cabanga, no Recife, foram recuperados na noite de terça-feira, 27 de outubro, após uma operação integrada das forças de segurança.

O armamento havia desaparecido em 17 de outubro, quando o soldado Pedro Gabriel Bezerra do Nascimento, de 20 anos, deixou a unidade militar durante o serviço de sentinela levando o fuzil e as munições.

Pedro Gabriel permaneceu desaparecido por quatro dias e se apresentou às autoridades em 21 de outubro, sem o armamento. Desde então, permanece preso no 4º Batalhão de Polícia do Exército, no Curado, Zona Oeste do Recife.

A recuperação do material, porém, não encerra o caso.

O Comando Militar do Nordeste (CMNE) informou que o Inquérito Policial Militar continuará para esclarecer como o fuzil saiu do quartel, por onde passou e se outras pessoas participaram da retirada, transporte ou tentativa de ocultação do armamento.

Fuzil foi encontrado no Pina

Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil e pelo Exército, uma denúncia levou as equipes até o bairro do Pina, na Zona Sul do Recife.

Após o cerco policial, o fuzil foi encontrado desmontado e armazenado em mochilas.

O armamento estava com a numeração raspada, circunstância que também será analisada pela perícia.

Além do fuzil, as forças de segurança recuperaram as 20 munições que haviam desaparecido junto com a arma.

A operação envolveu Polícia Civil de Pernambuco, Polícia Militar, Polícia do Exército e outras forças de segurança que participam das investigações.

Buscas chegaram a Olinda

Antes da localização do fuzil no Recife, militares e policiais realizaram buscas em diferentes endereços da Região Metropolitana.

As diligências incluíram imóveis nos bairros de Jardim Brasil e Peixinhos, em Olinda.

A investigação buscava informações sobre pessoas que poderiam ter tido contato com o armamento após sua retirada do quartel.

Durante essas buscas, familiares de um ex-militar citado na apuração disseram que ele providenciaria a devolução da arma.

Esse relato, porém, não significa que já esteja comprovado que ele recebeu o fuzil ou participou de algum crime.

A Polícia Civil informou que possui informações preliminares sobre a atuação de um intermediário, mas afirmou que ainda não é possível confirmar publicamente quem recebeu o armamento nem eventual vínculo com organização criminosa.

Investigação apura possível repasse

Desde os primeiros dias do caso, uma das linhas investigativas é a possibilidade de que o fuzil tenha sido repassado a terceiros.

O Diario de Pernambuco informou, com base em fontes ligadas à investigação, que o armamento poderia ter sido direcionado ao tráfico de drogas por meio de um intermediário.

Após a recuperação, porém, a Polícia Civil adotou uma posição mais cautelosa.

Segundo o delegado responsável pelas diligências, existem informações preliminares sobre possível repasse do armamento, mas ainda não é possível afirmar quem seriam os destinatários ou se existe vínculo comprovado com alguma facção criminosa.

Essas informações continuam sendo apuradas pelo Inquérito Policial Militar e pelas forças de segurança envolvidas no caso.

Soldado permaneceu em silêncio no interrogatório

Um ponto importante é que não há confirmação de uma confissão formal de Pedro Gabriel sobre o destino do fuzil.

De acordo com o advogado da família, o soldado permaneceu em silêncio durante interrogatório realizado no quartel em 23 de outubro e pretende se manifestar apenas em juízo.

Quando se apresentou à polícia, a defesa afirmou que Pedro Gabriel relatou não se lembrar de como deixou o quartel nem do paradeiro do armamento.

Essa versão também faz parte da investigação e ainda precisa ser confrontada com outras provas e depoimentos.

Namorada está em prisão domiciliar

A namorada do militar, Yasmim Victória de Amorim Lago, de 18 anos, também é investigada.

Ela foi presa preventivamente sob suspeita de ter ajudado Pedro Gabriel a deixar a unidade militar e permaneceu durante quatro dias na Colônia Penal Feminina.

A Justiça Militar posteriormente converteu a prisão preventiva em **prisão domiciliar**.

Yasmim está grávida de aproximadamente dois meses, e a defesa informou que a gestação é considerada de risco.

A decisão judicial determinou medidas cautelares.

Entre elas está a proibição de manter contato direto ou indireto com Pedro Gabriel, testemunhas e outros investigados no Inquérito Policial Militar.

Ela também precisa permanecer no endereço informado à Justiça e só pode sair em situações previstas na decisão, como emergências médicas ou consultas obstétricas.

Como o caso começou

Pedro Gabriel estava de serviço como sentinela no 7º Depósito de Suprimento do Exército, no Cabanga, quando deixou a unidade na madrugada de 17 de outubro.

Com ele estavam o fuzil M964 FAL calibre 7,62 e 20 munições.

Após o desaparecimento do militar, o CMNE iniciou buscas e criou inclusive um canal para receber informações sobre seu paradeiro.

A Polícia Civil também passou a participar das diligências.

Quatro dias depois, o soldado se apresentou às autoridades.

O fuzil, porém, continuou desaparecido até a noite de 27 de outubro.

Recuperação não encerra o Inquérito Policial Militar

O CMNE confirmou que o Inquérito Policial Militar (IPM) seguirá aberto mesmo após a recuperação do armamento.

A investigação deverá tentar responder, entre outras questões:

como o soldado conseguiu deixar o quartel levando o fuzil;

quem teve contato com o armamento depois da saída da unidade;

se houve intermediários;

por que a numeração da arma foi raspada;

e se outras pessoas participaram da tentativa de ocultar ou repassar o material.

O Exército afirmou que busca identificar todos os possíveis envolvidos e responsabilizar eventuais participantes conforme a legislação.

Um fuzil militar fora do controle do quartel

A recuperação do armamento encerra o risco imediato de um fuzil pertencente ao Exército permanecer fora do controle das autoridades.

Mas o episódio levanta questões relevantes sobre segurança interna.

O M964 FAL é um armamento de guerra de grande poder de fogo.

O fato de uma arma desse tipo ter deixado uma instalação militar, permanecido desaparecida por cerca de dez dias e reaparecido com a numeração raspada aumenta a importância de esclarecer toda a cadeia de acontecimentos.

A investigação agora precisa ir além da recuperação física do fuzil.

Será necessário determinar quem participou, quem sabia do paradeiro da arma e se houve tentativa de colocá-la em circulação criminosa.

O que está confirmado até agora

Está confirmado que Pedro Gabriel deixou a unidade militar com o fuzil e 20 munições no dia 17 de outubro.

Também está confirmado que ele se apresentou às autoridades no dia 21 sem o material e permanece preso.

A namorada do soldado é investigada e teve a prisão convertida em domiciliar em razão da gravidez.

O fuzil e as munições foram recuperados no Pina em 27 de outubro.

E o Inquérito Policial Militar continua aberto para esclarecer o envolvimento de outras pessoas.

Já alegações sobre quem recebeu o armamento, eventual ligação de investigados com facções criminosas ou a existência de um esquema organizado ainda precisam de confirmação formal das autoridades.

Fontes: Comando Militar do Nordeste, Polícia Civil de Pernambuco, CNN Brasil, Diario de Pernambuco, CBN Recife e UOL.

Atualização: informações revisadas pelo Informativa PE em 28 de outubro de 2026.

Siga o Informativa PE para mais atualizações.

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