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Nvidia data center OpenAI

Nvidia aposta alto na OpenAI: acordo para megadata center pode envolver até US$ 105 bilhões

Fabricante de chips investirá US$ 1,5 bilhão na SB Energy e dará suporte financeiro a um dos maiores projetos de infraestrutura de inteligência artificial do mundo, planejado para o estado de Ohio.

Por Alex Oliveira — Informativa PE
Publicado em 17 de agosto de 2026

Nvidia data center OpenAI
Nvidia apoiará financeiramente um grande projeto de data center destinado à OpenAI em Ohio. Imagem meramente ilustrativa.

Nvidia data center OpenAI

A disputa mundial pela liderança na inteligência artificial está deixando de acontecer apenas dentro dos laboratórios. Agora, ela avança sobre terrenos, usinas de energia, linhas de transmissão, sistemas de resfriamento e enormes centros de processamento de dados.

A Nvidia decidiu ampliar sua participação nessa corrida ao apoiar um gigantesco projeto de data center destinado à OpenAI no estado de Ohio, nos Estados Unidos.

De acordo com informações publicadas nesta segunda-feira, 17 de agosto, a fabricante de chips investirá US$ 1,5 bilhão na SB Energy, empresa controlada pelo grupo japonês SoftBank e responsável pelo desenvolvimento do empreendimento.

Além do investimento direto, a Nvidia poderá oferecer garantias financeiras de até US$ 105 bilhões para ajudar na construção e no financiamento do complexo.

O valor não representa um simples depósito de US$ 105 bilhões na conta da OpenAI. Trata-se de uma estrutura de garantias e compromissos financeiros destinados a reduzir o risco do projeto e facilitar a obtenção dos recursos necessários.

Mesmo assim, a dimensão do acordo impressiona. A operação coloca a Nvidia não apenas como fornecedora de chips, mas como uma das principais financiadoras da infraestrutura necessária para manter o avanço da inteligência artificial.

O que mudou desde a primeira informação?

A notícia inicialmente publicada em 15 de agosto informava que a Nvidia negociava investir até US$ 3 bilhões na SB Energy.

Segundo o relato original do site especializado The Information, metade do investimento poderia ocorrer na assinatura do contrato, enquanto a outra parte seria aplicada durante uma futura abertura de capital da SB Energy.

Naquele momento, a Reuters informou que não havia conseguido confirmar o acordo de maneira independente. Nvidia e SB Energy também não responderam imediatamente aos pedidos de posicionamento.

A situação avançou.

A atualização divulgada em 17 de agosto apresenta termos mais concretos: a Nvidia investirá US$ 1,5 bilhão diretamente na SB Energy e fornecerá apoio financeiro de até US$ 105 bilhões relacionado à primeira grande fase do empreendimento.

Portanto, não seria correto manter como manchete apenas a possível aplicação de US$ 3 bilhões. O valor efetivamente informado para o investimento direto é menor, mas o compromisso financeiro total ligado ao projeto é muito maior.

Um data center para atender a OpenAI

O complexo será desenvolvido no chamado PORTS-Pike Technology Campus, no condado de Pike,

sul de Ohio.

A área escolhida está localizada em um antigo complexo federal de enriquecimento de urânio. O governo dos Estados Unidos pretende reaproveitar parte do terreno para a instalação de infraestrutura energética e de processamento de dados.

A SB Energy será responsável por construir, administrar e manter o campus. A OpenAI ocupará a posição de principal cliente, utilizando a capacidade computacional para treinar e operar seus modelos de inteligência artificial.

A previsão é que a OpenAI utilize inicialmente cerca de 4,25 gigawatts de capacidade de computação, com possibilidade de expansão para aproximadamente 8 gigawatts.

A primeira etapa deverá começar a funcionar em 2028. A implantação completa poderá avançar até 2032, desde que financiamento, geração de energia, licenciamento e construção sigam o cronograma esperado.

Projetos dessa dimensão são desenvolvidos por etapas. Isso significa que o anúncio de uma capacidade máxima não garante que toda ela estará disponível imediatamente.

O que significa uma capacidade de 8 gigawatts?

Gigawatt é uma unidade normalmente utilizada para medir grandes volumes de potência elétrica.

Um gigawatt corresponde a um bilhão de watts. Portanto, uma infraestrutura com capacidade de vários gigawatts exige uma quantidade de energia comparável ao consumo de grandes regiões urbanas.

No caso dos data centers, parte dessa energia alimenta os processadores. Outra parte mantém sistemas de armazenamento, redes de comunicação, equipamentos de segurança e mecanismos de refrigeração.

Os chips empregados no treinamento de inteligência artificial funcionam intensamente e produzem muito calor. Sem resfriamento adequado, o desempenho cai e os equipamentos podem sofrer danos.

É por isso que os novos centros de IA precisam ser planejados junto com a infraestrutura de energia e refrigeração. Não basta comprar milhões de chips e conectá-los à rede elétrica existente.

Energia se transforma no novo gargalo da inteligência artificial

Durante os primeiros anos da inteligência artificial generativa, a discussão ficou concentrada nos modelos, nos dados e na capacidade dos chips.

Essa realidade está mudando.

As empresas já conseguem desenvolver processadores extremamente avançados, mas precisam encontrar locais com energia suficiente para instalar milhões deles. Também necessitam de terrenos, conexão com redes elétricas, sistemas de refrigeração e disponibilidade de água ou outras soluções térmicas.

O projeto de Ohio prevê a construção de até 10 gigawatts de nova geração de energia, incluindo aproximadamente 9,2 gigawatts provenientes de gás natural, segundo informações divulgadas pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos.

Também está previsto um investimento de aproximadamente US$ 4,2 bilhões na modernização da rede elétrica, em uma parceria que envolve a companhia AEP Ohio.

Esses números mostram que a competição pela inteligência artificial deixou de ser apenas tecnológica. Ela também se tornou energética, financeira e territorial.

Por que a Nvidia está colocando dinheiro no projeto?

A Nvidia é a maior fornecedora de processadores especializados usados no treinamento e na operação de modelos avançados de IA.

Quanto mais data centers forem construídos, maior poderá ser a demanda por suas GPUs, seus sistemas de conexão e suas plataformas de computação.

Ao investir na SB Energy e ajudar a viabilizar o campus de Ohio, a Nvidia fortalece um projeto que poderá se transformar em um de seus maiores compradores.

A empresa também deverá fornecer a infraestrutura computacional utilizada nas fases iniciais do empreendimento. Dependendo da expansão, o campus poderá consumir milhões de chips ao longo dos próximos anos.

Do ponto de vista estratégico, a Nvidia não está apenas esperando que um cliente encontre recursos para comprar seus produtos. Ela está ajudando a criar as condições financeiras e físicas para que esse cliente possa realizar a compra.

A aposta pode gerar uma receita enorme no futuro, mas também aumenta a exposição da fabricante de chips ao desempenho financeiro e operacional do setor de inteligência artificial.

Existe um financiamento circular?

O acordo também provoca um questionamento importante.

A Nvidia investe ou oferece garantias a empresas que constroem data centers. Esses projetos compram sistemas da própria Nvidia. As vendas aumentam a receita da fabricante, que pode continuar financiando novos clientes e projetos.

Essa estrutura vem sendo chamada por alguns analistas de financiamento circular.

Isso não significa automaticamente que exista irregularidade. Empresas podem investir legitimamente em seus clientes, fornecedores e parceiros estratégicos.

A preocupação aparece quando o crescimento das vendas passa a depender de recursos fornecidos, direta ou indiretamente, pela própria empresa que vende os equipamentos.

O principal questionamento é simples: a demanda continuaria no mesmo ritmo se os fabricantes não ajudassem a financiar os compradores?

A resposta só ficará mais clara quando os data centers entrarem em funcionamento e começarem a gerar receitas suficientes para sustentar seus contratos de longo prazo.

A OpenAI assume um compromisso de longo prazo

A estrutura divulgada prevê um contrato de arrendamento de longo prazo entre a OpenAI e a SB Energy. As informações disponíveis indicam que a operação poderá chegar a aproximadamente 20 anos.

Nesse modelo, a OpenAI não precisa construir e possuir todo o complexo diretamente. Ela passa a utilizar a capacidade disponibilizada pela SB Energy mediante pagamentos definidos no contrato.

A vantagem é acelerar o acesso a uma infraestrutura gigantesca sem concentrar toda a construção dentro da própria empresa.

O risco é assumir despesas elevadas por muitos anos, mesmo em um setor no qual os chips, os modelos e as formas de utilização da inteligência artificial mudam rapidamente.

Um data center projetado hoje precisa estar preparado para receber várias gerações de processadores. Caso contrário, parte da estrutura pode ficar ultrapassada antes de o investimento ser recuperado.

O projeto pode gerar milhares de empregos

As projeções apresentadas para o campus indicam a criação de aproximadamente 35 mil postos de trabalho durante as diferentes etapas da construção, que poderá se estender até 2032.

Depois de concluído, o complexo poderá manter aproximadamente 2.500 empregos permanentes.

Essas estimativas precisam ser interpretadas com cuidado. Vagas de construção são temporárias e podem ser contabilizadas ao longo de vários anos. Elas não representam necessariamente 35 mil pessoas trabalhando simultaneamente no mesmo local.

Os empregos permanentes deverão envolver manutenção, engenharia, energia, refrigeração, segurança, redes, operação dos servidores e administração.

O empreendimento também pode movimentar fornecedores, hotéis, restaurantes, transportadoras e serviços das cidades próximas.

Por outro lado, moradores e autoridades locais deverão acompanhar os impactos sobre energia, infraestrutura, meio ambiente, trânsito e utilização de recursos naturais.

O projeto faz parte de uma estrutura ainda maior

A relação entre OpenAI, Nvidia e SB Energy não começou agora.

Em setembro de 2025, OpenAI e Nvidia anunciaram uma parceria estratégica para instalar pelo menos 10 gigawatts de sistemas da fabricante de chips. Naquele acordo, a Nvidia declarou a intenção de investir progressivamente até US$ 100 bilhões conforme a capacidade fosse instalada.

Em janeiro de 2026, OpenAI e SoftBank investiram US$ 500 milhões cada uma na SB Energy, totalizando US$ 1 bilhão. A empresa passou a atuar como uma das parceiras preferenciais para desenvolver data centers e infraestrutura energética dentro do projeto Stargate.

O novo campus de Ohio amplia essa relação, mas não deve ser confundido com os outros centros anunciados anteriormente. A SB Energy também trabalha em projetos de infraestrutura em outros estados, incluindo uma instalação de 1,2 gigawatt no Texas.

Modelos mais poderosos significam serviços mais baratos?

Não necessariamente.

O aumento da capacidade computacional pode permitir que empresas desenvolvam modelos mais avançados, rápidos e capazes de processar textos, imagens, vídeos, voz e dados em tempo real.

Mas essa infraestrutura possui um custo gigantesco.

Além dos chips, existem despesas com energia, construção, manutenção, conexão, refrigeração, profissionais especializados, segurança e substituição de equipamentos.

As empresas precisam recuperar esse investimento. Isso pode acontecer por meio de assinaturas, contratos empresariais, publicidade, licenciamento e cobrança pelo uso das APIs.

Portanto, o crescimento dos data centers pode aumentar a oferta de processamento, mas não garante automaticamente uma redução no preço pago pelos desenvolvedores.

A concorrência entre OpenAI, Google, Anthropic, Meta, Amazon, Microsoft e outros fornecedores provavelmente terá um papel decisivo na formação dos preços.

Uma aposta gigantesca no futuro da IA

O campus de Ohio mostra que o próximo salto da inteligência artificial exigirá muito mais do que bons algoritmos.

Será necessário construir uma rede industrial formada por geração de energia, linhas de transmissão, servidores, chips, refrigeração, financiamento e contratos que atravessam décadas.

A Nvidia está apostando que a demanda continuará crescendo em ritmo suficiente para justificar essa expansão.

A OpenAI aposta que precisará de uma capacidade computacional muito maior para desenvolver e operar seus futuros modelos.

A SB Energy aposta que os data centers serão uma das infraestruturas mais importantes da economia digital.

Mas uma pergunta continuará acompanhando todo o projeto: a receita criada pela inteligência artificial será suficiente para pagar uma expansão dessa proporção?

A tecnologia existe. O capital está sendo mobilizado. O verdadeiro teste será transformar bilhões de dólares em serviços sustentáveis e úteis para empresas e consumidores.

Nota de atualização: uma versão preliminar da notícia mencionava a negociação de um investimento de até US$ 3 bilhões na SB Energy. Em 17 de agosto, novas informações indicaram investimento direto de US$ 1,5 bilhão e garantias financeiras que podem alcançar US$ 105 bilhões. A matéria foi atualizada para refletir os dados mais recentes.

Fontes consultadas: Reuters — Nvidia oferece garantias de até US$ 105 bilhões para o projeto de Ohio, OpenAI — parceria com Nvidia para implantação de sistemas de IA, OpenAI — parceria com SoftBank e SB Energy e Departamento de Energia dos Estados Unidos — infraestrutura energética planejada para Ohio.

 

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