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Mortes aumentaram durante as buscas no leste da Indonésia

Terremoto de magnitude 7,7 deixa 53 mortos e espalha destruição no leste da Indonésia

Quase 5 mil pessoas precisaram abandonar suas casas na Ilha de Flores. Réplicas, deslizamentos e estradas bloqueadas dificultam a chegada das equipes de resgate às comunidades mais isoladas.

Por Alex Oliveira — Informativa PE
Publicado em 16 de agosto de 2026 | Atualizado em 16 de agosto de 2026

Mortes aumentaram durante as buscas no leste da Indonésia
Ilustração editorial gerada por inteligência artificial para o Informativa PE.

Mortes aumentaram durante as buscas no leste da Indonésia

Um terremoto de magnitude 7,7 deixou pelo menos 53 mortos e mais de 130 feridos no leste da Indonésia. O tremor atingiu principalmente a Ilha de Flores, na província de Nusa Tenggara Oriental, e provocou uma grande operação de busca, resgate e assistência humanitária.

Cerca de 5 mil moradores precisaram sair de suas casas. Parte dos desabrigados está acomodada em tendas improvisadas, prédios públicos e uma arena esportiva na região de Sikka, uma das áreas mais atingidas.

O terremoto ocorreu no sábado, 15 de agosto. Desde então, quase mil réplicas foram registradas, algumas suficientemente fortes para assustar novamente os moradores e interromper os trabalhos das equipes de emergência.

O balanço ainda pode mudar porque existem comunidades de difícil acesso, estradas bloqueadas e construções que ainda não foram completamente vistoriadas.

Mortes aumentaram durante as buscas

O primeiro levantamento divulgado pelas autoridades indicava 51 mortes. No decorrer das operações de resgate, outras vítimas foram encontradas, elevando o total confirmado para 53.

Segundo a atualização mais recente, aproximadamente 135 pessoas ficaram feridas. Parte delas apresenta lesões graves e necessita de atendimento especializado.

As autoridades ainda não apresentaram um número consolidado de desaparecidos. Equipes continuam removendo escombros e tentando chegar a localidades isoladas pelos deslizamentos.

A ausência de um total oficial de desaparecidos exige cautela. Isso significa que qualquer número divulgado fora dos boletins das autoridades deve ser tratado como provisório.

Quase 5 mil pessoas estão fora de casa

Aproximadamente 5 mil moradores foram retirados de suas residências ou decidiram deixá-las por medo de novos desabamentos.

Mais de 3.300 pessoas estariam concentradas em uma arena esportiva na região de Sikka. Outros sobreviventes estão em abrigos temporários ou montaram tendas em áreas abertas.

Mesmo algumas famílias cujas casas permaneceram de pé preferem não voltar. O motivo é a sequência de réplicas, que mantém o medo de que construções já fragilizadas possam desabar.

Os abrigos enfrentam necessidade de água potável, alimentos, cobertores, medicamentos, tendas e geradores de energia. Em uma emergência dessa proporção, o desafio não é apenas resgatar quem ficou preso. Também é necessário oferecer condições mínimas para milhares de pessoas que perderam temporária ou definitivamente suas casas.

Réplicas dificultam os trabalhos

As primeiras informações mencionavam 341 tremores secundários. O monitoramento mais recente, no entanto, já apontava quase mil réplicas.

Esses novos tremores representam um risco para moradores, socorristas e voluntários. Prédios que aparentemente resistiram ao terremoto principal podem ter sofrido danos estruturais e não oferecer segurança.

Por esse motivo, as autoridades precisam avaliar hospitais, escolas, residências, pontes e edifícios públicos antes de permitir o retorno da população.

As réplicas também interferem diretamente nas buscas. Quando um novo tremor é percebido, equipes podem ser obrigadas a interromper a retirada de escombros e deixar áreas consideradas perigosas.

Deslizamentos bloquearam estradas

O terremoto provocou deslizamentos em diferentes pontos da Ilha de Flores. Estradas ficaram bloqueadas, dificultando o transporte de máquinas, ambulâncias, alimentos e equipes médicas.

Algumas localidades nas regiões de Manggarai, Manggarai Oriental e Nagekeo estiveram entre as mais difíceis de alcançar.

A situação das estradas é uma das maiores preocupações da operação. Em áreas montanhosas, um bloqueio pode deixar comunidades inteiras sem acesso terrestre. Nesses casos, o socorro depende de helicópteros, embarcações ou da abertura emergencial de caminhos.

Além das rodovias, serviços de eletricidade e comunicação foram interrompidos. O fornecimento de energia começou a ser restabelecido, mas algumas linhas de distribuição continuam precisando de reparos.

A interrupção elétrica também afetou postos de combustível. Isso compromete o funcionamento de veículos, geradores, ambulâncias e equipamentos empregados nos resgates.

Casas e prédios públicos foram destruídos

Mais de 900 residências teriam sido destruídas e um número ainda maior sofreu algum tipo de dano. Levantamentos anteriores apontavam mais de 1.300 casas afetadas, incluindo imóveis com danos leves, moderados e graves.

Escolas, unidades de saúde, repartições públicas e outras estruturas também foram atingidas.

A diferença entre os números não representa necessariamente uma contradição. Um balanço pode contar apenas as casas completamente destruídas, enquanto outro reúne todos os imóveis danificados.

Essa distinção precisa aparecer com clareza em uma cobertura responsável. Somar ou misturar categorias diferentes pode produzir um número incorreto e aumentar a confusão em um momento de emergência.

Em algumas localidades, profissionais de saúde precisaram improvisar espaços de atendimento. A prioridade é cuidar dos feridos, manter os medicamentos em condições adequadas e transferir pacientes que necessitam de procedimentos mais complexos.

Mais de 3.500 agentes foram mobilizados

O governo indonésio enviou mais de 3.500 policiais e militares para apoiar as operações de busca e assistência.

As equipes trabalham ao lado de agentes locais, profissionais de saúde, integrantes dos serviços de busca e salvamento e voluntários.

O governo também declarou situação de emergência em Nusa Tenggara Oriental. A medida permite acelerar a mobilização de recursos, o envio de equipamentos e a contratação de serviços necessários ao atendimento da população.

Entre as prioridades estão:

  • localizar possíveis vítimas sob os escombros;
  • liberar as principais estradas;
  • distribuir água, alimentos e medicamentos;
  • montar abrigos seguros;
  • restabelecer energia e comunicação;
  • avaliar as condições de hospitais e escolas;
  • impedir que moradores entrem em construções instáveis.

Por que a Indonésia registra tantos terremotos?

A Indonésia está localizada no chamado Círculo de Fogo do Pacífico, uma extensa região de encontro entre placas tectônicas. Esse movimento geológico provoca terremotos, erupções vulcânicas e, em algumas situações, tsunamis.

Isso não significa que todo terremoto de grande magnitude provocará o mesmo nível de destruição. Os danos dependem de diversos fatores: profundidade do epicentro, distância das áreas habitadas, qualidade das construções, características do solo e capacidade de resposta das autoridades.

Um terremoto profundo e distante pode causar menos estragos que um tremor de menor magnitude ocorrido perto de uma cidade com construções vulneráveis.

No caso de Flores, o terremoto foi considerado raso, com profundidade estimada em aproximadamente dez quilômetros. Tremores rasos costumam produzir uma movimentação mais intensa na superfície próxima ao epicentro.

Houve risco de tsunami?

Uma advertência de tsunami chegou a ser emitida após o terremoto. Posteriormente, o alerta foi retirado porque não foram observadas alterações significativas que justificassem sua manutenção.

Mesmo depois do cancelamento oficial, moradores de áreas costeiras precisam seguir exclusivamente as orientações das autoridades locais. Informações compartilhadas em redes sociais, sem identificação da fonte e do horário, podem provocar pânico ou levar pessoas a tomar decisões perigosas.

Em situações assim, um alerta antigo pode continuar circulando mesmo depois de ter sido cancelado. Por isso, é fundamental verificar a data e o horário de cada aviso.

O terremoto mais mortal desde 2022

O desastre é considerado o terremoto mais mortal registrado na Indonésia desde 2022.

Naquele ano, um terremoto de magnitude 5,6 atingiu Cianjur, na região oeste da Ilha de Java, e matou centenas de pessoas. Apesar da magnitude menor, o tremor foi raso e atingiu uma área densamente ocupada.

Flores também carrega a memória de outro desastre. Em 1992, um terremoto seguido de tsunami matou aproximadamente 2.500 pessoas na região.

A comparação histórica ajuda a compreender o risco enfrentado pelos moradores, mas não deve servir para transformar a tragédia em espetáculo. Neste momento, o que importa é a chegada do socorro, a segurança das famílias e a divulgação de informações confirmadas.

O que ainda precisa ser esclarecido?

As próximas atualizações deverão informar se existem desaparecidos, quantas comunidades permanecem isoladas e quantas construções poderão voltar a ser ocupadas.

Também será necessário acompanhar:

  • a evolução do número de vítimas;
  • o estado dos feridos graves;
  • a liberação das estradas;
  • a distribuição de água e alimentos;
  • o atendimento às regiões mais afastadas;
  • a frequência e a intensidade das réplicas;
  • o levantamento definitivo das casas destruídas.

Os números de uma tragédia dessa dimensão dificilmente permanecem iguais nas primeiras horas. Isso acontece porque as equipes avançam por áreas que antes estavam inacessíveis e porque os hospitais atualizam os registros dos pacientes.

Informação responsável também salva vidas

Em meio ao medo provocado por quase mil réplicas, informações incorretas podem agravar a situação. Fotografias antigas, vídeos de outros terremotos e alertas já cancelados costumam voltar a circular como se fossem atuais.

Antes de compartilhar qualquer conteúdo, é importante verificar a origem, a data e a localização. Publicações das autoridades indonésias e de agências jornalísticas reconhecidas devem ter prioridade.

A população afetada precisa de ajuda, não de boatos. Enquanto as buscas continuam, a melhor contribuição de quem acompanha a tragédia à distância é divulgar informação confirmada e evitar imagens sensíveis ou sem contexto.

Nota editorial: esta matéria acompanha uma ocorrência em andamento. O balanço de vítimas e danos pode mudar conforme as autoridades alcançarem novas áreas. A última atualização consultada pelo Informativa PE indicava 53 mortos, cerca de 135 feridos, aproximadamente 5 mil pessoas deslocadas e quase mil réplicas.

Fontes consultadas: Reuters — balanço e operações de resgate, Associated Press — atualização para 53 mortos e Reuters — histórico dos terremotos mais mortais da Indonésia.

 

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