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Presidenciável 2026 Geraldo Alckmin

Dossiê Geraldo Alckmin: o antigo adversário que se tornou o fiador moderado de Lula

Depois de passar mais de três décadas no PSDB, disputar a Presidência contra Lula e construir sua imagem como representante do centro e da centro-direita, Geraldo Alckmin mudou de partido, tornou-se vice do antigo adversário e agora tenta repetir a aliança em 2026. A aproximação representa maturidade democrática, pragmatismo ou simples conveniência eleitoral?

Dossiê atualizado em 7 de agosto de 2026

Presidenciável 2026 Geraldo Alckmin

Presidenciável 2026 Geraldo Alckmin

Do consultório médico à política nacional

 

Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho nasceu em 7 de novembro de 1952, em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo. Formou-se em Medicina pela Universidade de Taubaté e especializou-se em anestesiologia no Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo.

Antes de se tornar uma figura nacional, Alckmin construiu uma carreira política gradual. Foi vereador, presidente da Câmara Municipal e prefeito de Pindamonhangaba. Depois, ocupou os cargos de deputado estadual, deputado federal, vice-governador e governador de São Paulo.

Participou da fundação do PSDB em 1988 e permaneceu no partido por mais de três décadas. Durante esse período, consolidou uma imagem de administrador discreto, moderado e avesso a grandes confrontos públicos.

Alckmin assumiu o governo paulista em 2001, depois do falecimento de Mário Covas. Foi eleito governador em 2002, voltou ao cargo em 2010 e foi reeleito no primeiro turno em 2014.

Em 2006, disputou a Presidência contra Lula e chegou ao segundo turno. Doze anos depois, tentou novamente, mas obteve apenas 4,76% dos votos válidos — pouco mais de 5 milhões de votos — e terminou em quarto lugar. O resultado oficial pode ser consultado nas estatísticas eleitorais do TSE.

A votação de 2018 foi um dos maiores fracassos eleitorais de sua trajetória. Mesmo dispondo de uma ampla coligação e de tempo considerável na propaganda eleitoral, Alckmin foi comprimido pela polarização entre Jair Bolsonaro e o PT.

O rompimento com o PSDB

Em dezembro de 2021, Alckmin deixou o PSDB. A saída encerrou uma relação de mais de 30 anos com o partido que ajudara a fundar. A justificativa pública foi o encerramento de um ciclo. Nos bastidores, porém, a decisão ocorreu depois da perda de espaço dentro do partido e do crescimento de João Doria, seu antigo aliado e sucessor no governo paulista.

Poucos meses depois, Alckmin ingressou no PSB, partido que se define como socialista e democrático. Em seguida, tornou-se candidato a vice-presidente na chapa de Lula.

A mudança produziu uma das imagens mais improváveis da política brasileira: o homem que tentou impedir a reeleição de Lula em 2006 passou a defender o petista como a melhor opção para o país.

Para os apoiadores, a aliança demonstrou grandeza política diante da ameaça representada por Bolsonaro e dos conflitos institucionais daquele período. Para os críticos, mostrou que diferenças ideológicas e ataques antigos podem ser esquecidos quando surge uma oportunidade de retornar ao poder.

É inevitável questionar: “Alckmin mudou suas convicções ou apenas mudou de posição no tabuleiro político?”

De adversário a vice de Lula

Na eleição de 2006, Alckmin acusava o governo Lula de corrupção, aparelhamento do Estado e incapacidade administrativa. Lula, por sua vez, apresentava Alckmin como representante de um projeto de privatizações e redução da atuação estatal.

Em 2022, as diferenças foram colocadas em segundo plano. A chapa Lula-Alckmin foi apresentada como uma frente ampla em defesa da democracia e da estabilidade institucional.

A escolha teve objetivos claros:

  • transmitir moderação aos eleitores de centro;
  • reduzir a desconfiança de empresários e investidores;
  • ampliar o diálogo com o setor produtivo;
  • melhorar a presença da chapa em São Paulo e no Sudeste;
  • demonstrar que a candidatura de Lula não seria exclusivamente petista;
  • atrair antigos eleitores do PSDB;
  • apresentar uma frente política mais ampla contra Bolsonaro.

A chapa venceu por uma margem apertada, com 50,9% dos votos válidos no segundo turno.

Em 31 de março de 2026, Lula anunciou que repetiria a parceria. A decisão encerrou especulações de que Alckmin poderia deixar a chapa para disputar novamente o governo de São Paulo. A permanência foi confirmada pela Reuters.

O PSB aprovou seu nome para vice em 29 de julho, e a chapa foi oficializada conjuntamente na convenção do PT em 2 de agosto.

Um político de centro dentro de um governo de esquerda

A trajetória histórica de Alckmin está ligada à social-democracia, ao centro e à centro-direita. Seus governos em São Paulo adotaram concessões, parcerias público-privadas, disciplina fiscal e colaboração com empresas privadas.

No governo federal, entretanto, passou a defender uma política industrial com forte participação do Estado, crédito público, incentivos e financiamento de setores considerados estratégicos.

Essa combinação não é necessariamente incoerente. Governos podem utilizar simultaneamente investimento público e capital privado. Mas a mudança de discurso merece observação.

Durante muitos anos, Alckmin criticou políticas intervencionistas do PT. Atualmente, participa de um governo que defende bancos públicos, proteção de empresas estatais e ampliação de investimentos federais.

Ele ainda representa as convicções econômicas que defendia no PSDB ou se adaptou integralmente ao programa de Lula?

Uma classificação equilibrada seria: “Político historicamente situado entre o centro e a centro-direita, atualmente integrante de uma coalizão de centro-esquerda liderada pelo PT.”

O legado no governo de São Paulo

Alckmin governou São Paulo em diferentes períodos entre 2001 e 2018. Por isso, não é correto atribuir individualmente a ele tudo o que ocorreu no estado, mas também não seria razoável dissociá-lo dos resultados de uma administração tão longa.

Entre as ações e políticas associadas às suas gestões estão:

  • ampliação de Etecs e Fatecs;
  • continuidade e expansão do programa Bom Prato;
  • investimentos em estradas estaduais;
  • concessões rodoviárias;
  • expansão de linhas de Metrô e da CPTM;
  • parcerias público-privadas;
  • escolas estaduais de tempo integral;
  • programas de saúde preventiva;
  • expansão de unidades do Poupatempo;
  • políticas de ensino técnico e profissional;
  • investimentos em saneamento e infraestrutura;
  • manutenção de políticas fiscais consideradas conservadoras.

No ensino profissional, suas gestões ampliaram unidades do Centro Paula Souza. Em 2018, por exemplo, o governo inaugurou novas Fatecs e uma Etec na Grande São Paulo, com investimento anunciado superior a R$ 115 milhões. A informação consta da Biblioteca Jurídica do Estado de São Paulo.

Seus apoiadores destacam o perfil administrativo e a continuidade das políticas públicas. Seus críticos sustentam que a longa permanência do PSDB no governo dificultou a fiscalização independente e produziu uma estrutura resistente à alternância de poder.

Crise hídrica e a acusação de demora

Entre 2014 e 2015, São Paulo enfrentou uma grave crise no abastecimento de água. O Sistema Cantareira chegou a níveis extremamente baixos, e o governo passou a utilizar reservas técnicas.

A administração Alckmin atribuiu a crise principalmente à falta de chuvas. Críticos afirmaram que o governo demorou a reconhecer a gravidade da situação, não realizou investimentos suficientes com antecedência e evitou assumir publicamente a existência de racionamento.

O governo adotou redução de pressão, incentivos para economia de água e obras emergenciais. As medidas contribuíram para atravessar o período, mas também provocaram denúncias de falta de transparência.

A questão relevante não é se houve seca — os registros meteorológicos confirmam uma situação severa. A pergunta é:

“Um governo que administrava o estado havia tantos anos deveria estar mais preparado para uma crise previsível de abastecimento?”

Reorganização escolar e a reação dos estudantes

Em 2015, o governo anunciou um plano de reorganização da rede estadual. A proposta previa separar escolas por ciclos de ensino, transferir centenas de milhares de estudantes e alterar o funcionamento de diversas unidades.

Segundo o governo, a reorganização melhoraria o desempenho pedagógico. Para estudantes, pais, professores e movimentos sociais, a medida havia sido planejada sem diálogo suficiente e poderia levar ao fechamento de escolas.

Mais de 190 unidades foram ocupadas, segundo números oficiais citados à época. Depois da ampliação dos protestos e da queda de popularidade do governador, Alckmin suspendeu o projeto. A proposta previa inicialmente o fechamento de 93 unidades e a transferência de aproximadamente 311 mil alunos. A suspensão foi registrada pela imprensa na época.

A decisão de recuar pode ser interpretada como disposição para ouvir a população. Também pode ser vista como demonstração de que o governo só abriu diálogo depois de enfrentar forte resistência.

Se o projeto era tecnicamente tão benéfico, por que não foi discutido amplamente antes de ser anunciado?

Pinheirinho: legalidade e responsabilidade social

Em janeiro de 2012, uma operação de reintegração de posse retirou moradores da ocupação conhecida como Pinheirinho, em São José dos Campos. A área pertencia a uma empresa ligada ao empresário Naji Nahas.

A operação foi executada pela Polícia Militar paulista a partir de decisão da Justiça estadual. O episódio provocou críticas de organizações sociais e entidades de direitos humanos quanto ao planejamento, ao tratamento dispensado às famílias e à ausência de uma solução habitacional previamente organizada.

Alckmin defendeu que o governo cumpria uma ordem judicial.

Essa defesa levanta outra questão: “cumprir uma ordem judicial encerra a responsabilidade política do Estado sobre a maneira como uma operação é planejada e sobre o destino das famílias atingidas?”

Não há base para atribuir a Alckmin participação pessoal em abusos eventualmente cometidos por agentes. Existe, porém, responsabilidade administrativa e política pela atuação das forças subordinadas ao governo estadual.

A violência policial como desafio recorrente

Durante os governos Alckmin, São Paulo registrou redução de diversos indicadores criminais, especialmente homicídios, em comparação com décadas anteriores. O governo associou esses resultados a investimentos em inteligência, policiamento e gestão. Ao mesmo tempo, a Polícia Militar paulista foi frequentemente criticada por operações violentas e por índices elevados de mortes decorrentes de intervenção policial.

Não se deve transformar todo episódio envolvendo policiais em decisão direta do governador. Entretanto, depois de tantos anos no comando do estado, também não seria convincente apresentar os problemas como se não estivessem ligados à política de segurança adotada pela administração.

A redução da criminalidade justifica estratégias policiais agressivas, ou um governo eficiente deveria garantir simultaneamente segurança e controle rigoroso sobre o uso da força?

O cartel dos trens e do Metrô

Investigações nacionais e internacionais identificaram indícios de cartel em licitações de trens e sistemas metroferroviários. Empresas como Siemens, Alstom, Bombardier, CAF e outras teriam combinado preços, dividido contratos e simulado concorrência em projetos realizados em São Paulo e em outros estados.

As apurações alcançaram contratos celebrados durante diferentes governos do PSDB paulista, inclusive períodos administrados por Alckmin.

Em 2018, a Superintendência-Geral do Cade recomendou a condenação de 16 empresas e 52 pessoas físicas por participação em cartel. A apuração envolveu pelo menos 27 projetos. O relatório foi divulgado pelo Cade.

É indispensável fazer uma distinção:

  • a existência de cartel entre empresas não prova participação pessoal de Alckmin;
  • ele não foi condenado por comandar o chamado “trensalão”;
  • os contratos investigados foram celebrados por empresas e órgãos ligados ao governo estadual;
  • a longa duração das práticas levanta dúvidas sobre a fiscalização exercida pelo Estado.

Assim, não é correto afirmar que “Alckmin comandou o cartel”. Também não seria jornalisticamente responsável ignorar que práticas anticompetitivas se prolongaram dentro de setores administrados por governos dos quais ele participou.

A pergunta incômoda é:

Como um cartel de tamanha duração conseguiu atuar em contratos públicos sem ser detectado pelos mecanismos internos de controle?

Se o governador não sabia, os controles falharam. Se integrantes do governo sabiam, é necessário perguntar até onde a informação circulou. Até o momento, não existe comprovação judicial de que Alckmin tivesse conhecimento pessoal do esquema.

A chamada “máfia da merenda”

A Operação Alba Branca investigou fraudes e pagamento de propinas em contratos de alimentação escolar relacionados à Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar, a Coaf.

Pessoas ligadas ao PSDB e a órgãos do governo paulista foram citadas. O relatório da CPI da Merenda responsabilizou funcionários e ex-assessores, mas isentou os políticos investigados. O resultado da CPI foi noticiado pelo UOL.

Alckmin não foi condenado nem responsabilizado criminalmente pelo esquema. Portanto, seria falso dizer que desviou recursos da merenda.

A relevância política está no fato de as suspeitas atingirem estruturas de um governo comandado por ele. Mais uma vez, surge o dilema recorrente dos chefes do Executivo:

“Até que ponto um governante pode reivindicar pessoalmente os acertos de sua administração e, ao mesmo tempo, atribuir os escândalos exclusivamente a subordinados?”

As acusações envolvendo a Odebrecht

Executivos da antiga Odebrecht afirmaram em acordos de colaboração que campanhas de Alckmin em 2010 e 2014 teriam recebido recursos não declarados. Os valores mencionados nas investigações chegaram a aproximadamente R$ 11,3 milhões. A acusação sustentava que os repasses teriam sido intermediados por pessoas próximas à campanha, entre elas o cunhado de Alckmin e um ex-tesoureiro. A defesa sempre negou irregularidades.

Houve dois caminhos judiciais importantes:

  1. uma ação penal na Justiça Eleitoral;
  2. uma ação de improbidade administrativa na Justiça paulista.

Em dezembro de 2022, o ministro Ricardo Lewandowski determinou o trancamento da ação penal. Posteriormente, o ministro Dias Toffoli encerrou a ação de improbidade, entendendo que ela estava baseada em provas anteriormente consideradas inválidas.

Em agosto de 2025, a Segunda Turma do STF rejeitou recurso da Procuradoria-Geral da República e manteve o encerramento da ação de improbidade por quatro votos a um. A decisão foi noticiada após o julgamento, e o próprio STF havia informado o trancamento da ação.

A situação correta, portanto, é:

  • Alckmin foi acusado de receber recursos eleitorais não declarados;
  • ele negou as acusações;
  • não houve condenação válida;
  • a ação penal foi trancada;
  • a ação de improbidade foi encerrada;
  • o STF considerou inválidas as provas que sustentavam a continuidade do processo;
  • não existe atualmente responsabilidade judicial estabelecida contra ele nesse caso.

Foi absolvição ou anulação das provas?

Não é adequado dizer simplesmente que Alckmin “continua sendo investigado” nesse processo. As ações foram encerradas. Também é necessário evitar uma conclusão exagerada de que todo o conteúdo das antigas delações foi necessariamente provado como mentira. A decisão judicial concentrou-se na validade das provas e na impossibilidade de utilizá-las para manter a acusação.

Na prática jurídica, sem provas válidas não poderia haver continuidade do processo. Alckmin não possui condenação e deve ser tratado como inocente. Politicamente, seus críticos continuarão perguntando se houve recursos não declarados. Seus defensores responderão que o Estado teve anos para apresentar provas válidas e não conseguiu.

Fica a pergunta: “O encerramento por invalidade das provas elimina apenas o processo ou também deveria encerrar todas as dúvidas políticas sobre a arrecadação da campanha?”

O fracasso eleitoral de 2018

Alckmin disputou a eleição de 2018 com uma coligação composta por nove partidos e amplo tempo de televisão. Ainda assim, recebeu apenas 4,76% dos votos válidos.

O resultado demonstrou uma mudança profunda no eleitorado. O perfil moderado e administrativo, antes considerado uma vantagem, parecia insuficiente diante da polarização política e do crescimento das redes sociais.

Também mostrou o enfraquecimento do PSDB, que havia disputado todos os segundos turnos presidenciais entre 1994 e 2014.

Curiosamente, o político rejeitado como candidato presidencial em 2018 retornou ao Palácio do Planalto quatro anos depois como vice de Lula.

Isso revela capacidade de sobrevivência e adaptação. Mas também provoca uma pergunta:

Alckmin voltou ao poder por recuperar apoio popular ou porque encontrou uma função estratégica na candidatura de outro político?

Vice-presidente e ministro da Indústria

A partir de janeiro de 2023, Alckmin acumulou a Vice-Presidência com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Sua atuação concentrou-se em:

  • reindustrialização;
  • negociação da reforma tributária;
  • comércio exterior;
  • ampliação das exportações;
  • inovação;
  • descarbonização industrial;
  • apoio a pequenas empresas;
  • crédito para setores produtivos;
  • interlocução com empresários;
  • negociação de tarifas e barreiras comerciais.

Alckmin tornou-se uma ponte entre o governo Lula e o setor empresarial. Seu discurso procurou combinar responsabilidade fiscal com política industrial ativa.

A Nova Indústria Brasil passou a reunir financiamentos e investimentos públicos e privados. Em maio de 2025, o governo anunciou que o conjunto de recursos mobilizados chegava a R$ 548 bilhões. O valor foi divulgado pelo MDIC.

Esse número deve ser interpretado com cautela: recursos anunciados, linhas de crédito e investimentos privados associados ao programa não significam necessariamente dinheiro já executado ou resultados industriais concluídos.

A questão decisiva será: “A Nova Indústria Brasil produzirá aumento permanente de produtividade e inovação ou se tornará apenas uma grande distribuição de crédito subsidiado a setores politicamente influentes?”

Reforma tributária

Alckmin participou das negociações da reforma dos tributos sobre o consumo e passou a defendê-la como uma das maiores modernizações econômicas do país.

A reforma pretende substituir diferentes tributos por um sistema de imposto sobre valor agregado, reduzir a cumulatividade e simplificar a cobrança.

O benefício potencial é real, mas a implantação será longa e complexa. Haverá um período de transição, regulamentações adicionais e disputas entre setores.

Alckmin afirma que a mudança aumentará os investimentos e as exportações. Essas projeções são expectativas econômicas, não resultados garantidos. Sua defesa da reforma foi apresentada em evento na Fiesp.

Aprovação, rejeição e confiança

Não existe uma pesquisa nacional regular de “aprovação do governo Alckmin” porque ele é vice-presidente e não comanda uma administração independente. Por isso, os números de aprovação de Lula não devem ser atribuídos automaticamente ao vice.

Há, contudo, levantamentos sobre sua imagem.

Uma pesquisa AtlasIntel divulgada em julho de 2026 apontou:

Percepção sobre AlckminPercentual
Imagem positiva45%
Imagem negativa50%
Saldo–5 pontos

Os dados indicavam uma imagem dividida, mas menos polarizada do que a de outras lideranças nacionais. Os resultados foram publicados pelo InfoMoney.

Em agosto de 2025, levantamento Datafolha colocou Alckmin entre as figuras públicas com maior índice de confiança do país, atrás de Tarcísio de Freitas e próximo de Lula. O ranking foi divulgado pela Folha.

Quando deixou o governo paulista em 2018, Alckmin possuía:

Avaliação do governo paulistaPercentual
Ótimo ou bom36%
Regular40%
Ruim ou péssimo22%

A pesquisa Datafolha ouviu 1.954 pessoas em 68 municípios paulistas. Os números foram publicados em abril de 2018.

Esses resultados mostram um político conhecido, relativamente confiável para parte do eleitorado, mas sem o entusiasmo popular que costuma cercar lideranças carismáticas.

O paradoxo Alckmin

Alckmin apresenta-se como defensor da responsabilidade fiscal, mas integra um governo pressionado por déficits e pelo crescimento das despesas.

Defende parcerias privadas, mas participa de uma coalizão crítica a privatizações.

Foi fundador do PSDB, mas agora está no PSB.

Combateu Lula eleitoralmente, mas tornou-se seu vice.

Representava a oposição ao PT, mas hoje ajuda a defender o legado petista.

Essas mudanças podem significar evolução política. Também podem indicar uma capacidade excepcional de adaptar o discurso às oportunidades disponíveis.

O que representa na chapa de 2026

Alckmin não é apenas um substituto constitucional do presidente. Politicamente, sua permanência procura transmitir:

  • estabilidade;
  • previsibilidade econômica;
  • diálogo com empresários;
  • moderação;
  • experiência administrativa;
  • amplitude partidária;
  • respeito às instituições;
  • continuidade da aliança vencedora de 2022.

Contudo, seu potencial eleitoral próprio é discutível. Em 2018, teve apenas 4,76% dos votos. Em 2022, não é possível calcular quantos votos foram efetivamente acrescentados por ele à chapa de Lula.

Alckmin pode tranquilizar segmentos econômicos e eleitores moderados, mas não há prova de que transfira uma quantidade expressiva de votos.

Promessas para 2026

Como candidato a vice, Alckmin não apresenta um programa independente. Suas propostas estão subordinadas ao plano da chapa Lula-Alckmin.

Entre as diretrizes defendidas estão:

  • continuidade da Nova Indústria Brasil;
  • aumento da produtividade;
  • simplificação tributária;
  • expansão das exportações;
  • crédito para pequenas e médias empresas;
  • educação técnica e profissional;
  • geração de empregos industriais;
  • transição energética;
  • produção de biocombustíveis;
  • descarbonização;
  • segurança jurídica;
  • estabilidade econômica;
  • integração entre governo e setor privado.

O principal desafio será transformar conceitos amplos em metas verificáveis.

Quanto a indústria deverá crescer? Quantos empregos serão criados? Quanto será investido? Quais setores receberão incentivos? Como evitar favorecimentos? Quais resultados serão cobrados das empresas beneficiadas?

Sem indicadores, “reindustrialização” pode tornar-se apenas uma expressão positiva usada para justificar qualquer política de incentivo.

Perguntas que Alckmin ainda precisa responder

 

  1. Quais de suas convicções econômicas mudaram desde que deixou o PSDB?
  2. O que tornou Lula, anteriormente criticado por ele, o líder que agora considera adequado para governar o país?
  3. Por que as estruturas de fiscalização paulista não detectaram antes os cartéis em contratos de trens e Metrô?
  4. Que responsabilidade política assume pelos escândalos ocorridos em órgãos subordinados aos seus governos, ainda que não tenha sido pessoalmente condenado?
  5. A gestão da crise hídrica foi transparente desde o início?
  6. Por que a reorganização escolar foi anunciada antes de um diálogo amplo com estudantes, pais e professores?
  7. A Nova Indústria Brasil possui mecanismos suficientemente claros para impedir desperdício, favorecimento empresarial e dependência de crédito público?
  8. Como concilia responsabilidade fiscal com um governo que enfrenta dificuldades para equilibrar receitas e despesas?
  9. Sua permanência como vice representa contribuição eleitoral real ou apenas uma mensagem de estabilidade?
  10. Se Lula não puder concluir um eventual mandato, quais seriam as verdadeiras prioridades de um governo comandado por Alckmin?

Veredito

Geraldo Alckmin construiu uma das carreiras mais longas da política brasileira sem depender de discursos explosivos ou de uma imagem carismática. Sua principal força está no perfil moderado, na experiência administrativa e na capacidade de dialogar com setores distintos.

Seu histórico, porém, não é isento de questionamentos. Investigações encontraram cartéis e irregularidades em contratos ligados a estruturas governamentais administradas durante suas gestões. Isso não prova participação pessoal do então governador, mas levanta dúvidas sobre a eficiência dos controles e da fiscalização.

As acusações envolvendo recursos da Odebrecht foram judicialmente encerradas. Alckmin não possui condenação nesses casos e deve ser tratado como inocente. O encerramento, porém, ocorreu em razão da invalidação das provas, o que continuará alimentando interpretações políticas diferentes.

A maior dúvida sobre Alckmin não está apenas em sua honestidade pessoal. Está em sua coerência.

Ele pode ser visto como um democrata pragmático que colocou diferenças partidárias de lado em um momento de crise. Também pode ser interpretado como um político que abandonou antigas posições para recuperar espaço no poder.

Talvez as duas coisas sejam parcialmente verdadeiras.

A pergunta que acompanhará sua candidatura em 2026 é:

Geraldo Alckmin é o equilíbrio que modera Lula ou apenas um antigo adversário que descobriu ser mais útil ao lado do presidente do que contra ele?

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