👽 30 anos depois, STM divulga inquérito e descarta versão militar sobre o “ET de Varginha”
Três décadas após o episódio que colocou Varginha no centro de uma das histórias mais curiosas do país, documentos oficiais voltam a jogar luz — ou talvez a esfriar de vez — o famoso caso do “ET de Varginha”. O Superior Tribunal Militar tornou públicos os dados de um Inquérito Policial Militar (IPM) instaurado em 1997, que concluiu: não houve qualquer operação do Exército relacionada ao suposto resgate de uma criatura extraterrestre.
Janeiro 08.2026 – quinta-feira

O inquérito foi aberto após a proliferação de boatos indicando que viaturas militares teriam sido usadas para capturar e transportar o suposto ser. À época, o rumor ganhou força, atravessou fronteiras e alimentou livros, programas de TV e debates ufológicos que persistem até hoje.
Segundo os registros oficiais, a investigação foi conduzida pela Escola de Sargentos do Exército e reuniu depoimentos, documentos internos e controles de deslocamento de viaturas. Todo o material está arquivado e sob guarda do STM, com acesso público.
O que dizem os documentos?
De acordo com o IPM, a origem do caso remonta ao relato de três jovens, em um dia de chuva intensa e queda de granizo, que afirmaram ter visto uma figura agachada próxima a um muro. A investigação concluiu que o episódio teria sido fruto de erro de interpretação.
Depoimentos colhidos indicam que as testemunhas teriam confundido a suposta criatura com um homem com transtornos mentais, conhecido na cidade por circular pelas ruas e permanecer frequentemente agachado. Molhado pela chuva e abrigado junto ao muro, ele teria sido percebido como algo “fora do comum”.

O inquérito também ouviu ufólogos responsáveis por obras que popularizaram o caso, além de militares citados nessas publicações. Todos negaram participação. A análise de horários e itinerários das viaturas mencionadas nas versões divulgadas não apontou qualquer movimentação compatível com a narrativa do transporte de um ser desconhecido.
E o mistério, acabou?
Ao final, o IPM foi categórico: “não há indícios de operação militar nem de envolvimento do Exército no episódio que entrou para o folclore contemporâneo brasileiro”. Oficialmente, o caso está encerrado há décadas.
Mas a pergunta inevitável permanece: documentos bastam para encerrar uma história que já se transformou em mito cultural? Para muitos, o “ET de Varginha” deixou de ser apenas um suposto evento ufológico e passou a ocupar o espaço das lendas modernas — aquelas que sobrevivem mesmo quando os fatos dizem o contrário.
Entre registros oficiais e a imaginação popular, o caso segue como um lembrete curioso de como boatos, medo, contexto e narrativa podem criar histórias que atravessam gerações. Verdade ou engano coletivo, uma coisa é certa:
Varginha jamais deixou de ser associada ao seu visitante mais famoso — mesmo que ele nunca tenha existido.
Por Alex Oliveira para o Informativa PE.


